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Famesp: 40 anos de existência

ANTONIO RUGOLO JR.*

Nesse mês, a Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp) completa exatos 40 anos. Na vida pessoal, costuma-se dizer que nessa idade vive-se uma crise. A crise dos 40! Isso porque esse costuma ser um estágio em que as pessoas, em geral, fazem um balanço da vida, revisitam valores, conceitos e se perguntam se até ali conseguiram realizar seus sonhos e se são felizes, afinal. Chegar aos 40, na vida pessoal, tem essa simbologia de ter vivido metade da expectativa de vida útil. E se chegou até ali é hora de rever a rota e aproveitar a vida com mais sabedoria...

Na vida jurídica de uma fundação como a Famesp, cujo “nascimento” teve seu registro lavrado em cartório de Botucatu (SP) em 15 de abril de 1981, não é tão diferente. E embora o momento não seja de comemorações, precisamos nos lembrar de que nessas quatro décadas construímos uma história da qual nos orgulhamos. Se olharmos para nosso álbum de fotos encontraremos retratos de inúmeras ações no campus na Unesp de Botucatu, sobretudo nas áreas da saúde e sociocultural, com valiosos projetos sociais. Honramos compromissos para o desenvolvimento médico e hospitalar de nossa região. E trilhamos um caminho repleto de aprendizados.

Essa poderia ser, portanto, uma ótima oportunidade para olharmos para tudo o que já fizemos... Mas no lugar de um “balanço de 40 anos” com tempo para rever rotas e refletir sobre o que aprendemos até aqui, chegamos nessa marca em pleno 2021 no meio da maior crise sanitária dos últimos tempos e certamente vivendo o maior desafio de nossa história como gestora de saúde – função exercida desde julho de 2011, quando a Famesp foi qualificada como Organização Social de Saúde e começou a firmar parcerias diretas com o Governo do Estado de São Paulo para gerir serviços de saúde, por meio de contratos de gestão e de convênios.

De modo que as mudanças que enfrentamos hoje superam em muito as expectativas de quem está completando seus quarentinha com a certeza de que a vida começa agora. Aliás, nesses longos e difíceis meses de pandemia do novo coronavírus certeza é uma palavra fora do nosso vocabulário. Vivemos um dia de cada vez, planejando todo o possível para entregar o nosso melhor na linha de frente dos hospitais. E no alto de nossos 40 anos, buscamos praticar nessa pandemia aquilo que aprendemos de mais importante na nossa existência até aqui: ter empatia, ser solidário e diante de qualquer situação saber que na ponta de nossas ações haverá sempre somente um ser humano olhando e zelando por outro ser humano. 

Assim, ao pensar a gestão hoje, lançamos aquele olhar 360 graus, na tentativa de enxergar as necessidades de todos os envolvidos e traçar as melhores estratégias, combinando conhecimento técnico com atitudes humanitárias.

Temos a responsabilidade de garantir o sustento direto de mais de cinco mil famílias – e de proteger essas famílias por meio de ações diárias nas unidades onde estamos presentes como gestora de saúde nas cidades de Bauru, Itapetininga e Tupã e também em áreas administrativas em nossa sede, em Botucatu-SP. Carregamos, portanto, ao longo desses 40 anos, a mesma responsabilidade de um provedor de família. E isso sempre foi motivo de orgulho para fundadores e diretores da Famesp. Afinal, entendemos o tamanho de nossa missão.

Os tempos atuais são difíceis, sim, como negar? Mas a boa notícia é que a idade nos traz serenidade, rompe as certezas e nos dá sabedoria para fazer novas perguntas para a vida e entender, no seu próprio movimento, que sempre haverá saídas se estivermos imbuídos pelo bem coletivo.   

Lidamos com as dores das famílias e dos nossos colaboradores, com as incertezas do cenário nacional, com as diferentes visões de mundo sobre a saúde pública e seus fazeres... Lidamos com as perdas e com as burocracias do meio do caminho... E tudo isso nos torna mais experientes, dia após dia. Essa experiência, no entanto, não terá valor se nossos valores originais se perderem. Daí voltamos à máxima: na ponta de nossas ações tem um ser humano lidando com outro ser humano. Isso será sempre o mais importante para que possamos seguir escrevendo as páginas dos próximos 40 anos.

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*Antonio Rugolo Jr. é médico e presidente da Famesp