3906

Hospital de Base de Bauru oferece terapias energéticas, dança do ventre e até xadrez para trabalhadores

[01/06/2023, Elaine de Souza - ACI Famesp]


"A força do grupo é fundamental para que esse programa seja efetivo"


Lançamento oficial ocorreu em abril desse ano com a presença de todas as lideranças do Hospital

Com o objetivo de cuidar de quem cuida, o Hospital de Base de Bauru, unidade estadual de saúde sob gestão da Famesp, acaba de implantar um programa permanente de qualidade de vida para seus mais de 1.200 trabalhadores. A proposta inclui uma triagem social para conhecer suas necessidades e demandas e oferece terapias de cura energética, como reiki e terapia prânica, cuidados nutricionais e de enfermagem para prevenção e controle de doenças crônicas, como diabetes, hipertensão arterial e obesidade, e atividades de promoção da saúde e bem-estar. Para isso, entram em ação profissionais como assistentes sociais, nutricionistas, enfermeiros, psicólogo, médico do trabalho, fisioterapeutas e terapeutas integrativos, além de facilitadores para atividades de dança do ventre e de jogo de xadrez.


A diretora administrativa do Hospital de Base, Roberta Fiuza Ramos, conta que por meio da política de Humanização, já largamente praticada na unidade, abriu-se uma perspectiva de “cuidar de quem cuida”. “Então, focamos no resgate de sugestões da medicina integrativa com as práticas holísticas e novas ideias de práticas saudáveis, como as ofertadas nesse programa de Qualidade de Vida com a preocupação de reestabelecer um ambiente harmonizado, com uma equipe fortalecida e um olhar centralizado nas pessoas, principalmente após os reflexos deixados pela pandemia”, conta Roberta. Segundo ela, a preocupação da diretoria em conjunto com a gerências é propiciar oportunidades de cuidado, atenção e de escuta aos colaboradores do Hospital e, como resultado esperado, criar um ambiente com mais equilíbrio físico/emocional.


Cuidar de quem cuida
já é parte das ações de Qualidade no Hospital, que tem uma semana exclusiva para os esforços nessa área

De acordo com a assistente social Fernanda Aparecida Fernandes Murakami, idealizadora do projeto de qualidade de vida no Hospital de Base, a proposta visa transformar cada colaborador em um parceiro em busca de melhorias permanentes em si, nos relacionamentos, na qualidade de atendimento e na comunicação interpessoal. “Ganhamos muito com a aprovação dessa iniciativa pela diretoria. Sinto que as pessoas precisam ser ouvidas”, destaca Fernanda. “Depois de iniciar o projeto, tenho encaminhado muitos colaboradores à terapia prânica e ganhei alguns abraços pelos corredores”, comemora.

“Todas as ações foram pensadas para que os colaboradores se sintam acolhidos durante sua rotina, melhorando a satisfação no ambiente em que trabalham e, consequentemente, melhorando seu desempenho profissional”, finaliza Fernanda, idealizadora do projeto.


Mãos que curam

O que pode um grupo: à frente, a assistente social Fernanda Murakami, idealizadora do projeto. Ao fundo, terapeutas integrativos voluntários, a partir da esquerda: Mari, Gustavo e Lúcia.


Sala de atendimento da Terapia Prânica

A cura prânica e o reiki atuam nos chamados chakras, conhecidos como centros de energia vital.  Em ambientes como o de um hospital há inúmeros impactos emocionais e o profissional que atua na saúde precisa procurar se manter equilibrado para lidar melhor com intercorrências e eventos adversos. Nesse contexto, a escolha pelo reiki ou pela terapia prânica é indicada para promover equilíbrio e bem-estar físico e mental aos trabalhadores da saúde.

Os terapeutas explicam que a prática é um sistema de limpeza e transferência de energias pelas mãos. Nesta terapia, limpa-se e energiza-se os chakras que estão relacionados com determinados órgãos, glândulas e áreas do corpo, promovendo mais saúde em aspectos mentais, físicos ou emocionais. O reiki também é uma terapia que se utiliza da imposição das mãos para transferir energia vital. Ambas as terapias integrativas já são reconhecidas pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

Com 18 anos de enfermagem e quatro de aplicação de reiki, a enfermeira Juliana Fahl, da equipe do HBB e terapeuta colaboradora no projeto, conta que a oportunidade de cuidar dos colegas de trabalho como terapeuta tem sido uma experiência nova e bastante produtiva. “Primeiro faço uma análise do perfil e estabeleço uma relação de confiança com garantia de sigilo de todo o atendimento. A partir daí, iniciamos as sessões”, conta. “Com o reiki, alguns pontos estimulam a produção de serotonina e endorfina, hormônios que promovem o bem-estar e o relaxamento, o que ajuda também a manter boas noites de sono”, destaca. 

Para o enfermeiro Luiz Gustavo do Nascimento, gerente de enfermagem, que atua no projeto como terapeuta prânico, os principais ganhos dessa iniciativa se referem realmente ao equilíbrio oferecido a quem recebe a terapia. “Numa leitura geral, o funcionário acolhido por essa terapia terá seus centros energéticos fortalecidos e, com isso, terá melhor percepção, melhor condição de resolver problemas, de responder a pressões e de se comunicar com assertividade em cada situação a que for exposto”, explica. O terapeuta conta que todos temos campos energéticos e que, segundo a filosofia oriental, quando uma doença atinge o corpo físico o corpo energético já foi atingido antes, ocasionando o processo de doença física. Nesse contexto, o profissional da saúde precisa ter equilíbrio para lidar com tudo isso.  “O equilíbrio do trabalhador da saúde é fundamental, afinal espera-se que ele esteja preparado para ser mais assertivo no seu papel profissional. Mas como fazer isso se todos somos humanos e estamos sujeitos? Aí está a importância desse trabalho energético que ajuda a nos blindar”, finaliza 

Olhar holístico

Dança do ventre também é destaque no programa. Na foto, no chão Luana, a partir da esquerda Lúcia, Fernanda, Mirela e Thais

A secretária Lúcia Helena Angeloni de Assis, também voluntária no projeto como terapeuta e instrutora de dança do ventre, reforça que a terapia prânica é uma prática holística sem cunho religioso que visa unir técnicas para harmonizar o campo energético da pessoa. “A cura prânica não cura o corpo, ela permite que o próprio corpo se recupere numa velocidade maior, ou seja, é um método de auxílio terapêutico que abrange técnicas de cura natural, de dentro para fora”, destaca. “A partir do momento que o corpo retoma seu equilíbrio, os processos de cura acontecem. As pessoas se sentem fortalecidas, com boa disposição para prosseguir, com mais discernimento e clareza dos pensamentos”, finaliza Lúcia.

a secretária Mari Portela, funcionária do Hospital que também atua como terapeuta voluntária neste projeto, complementa destacando que por ser um lugar onde os trabalhadores lidam com doenças, dores e sofrimentos, o ambiente hospitalar muitas vezes se torna pesado, angustiante, independentemente do amor que você dedica ao que faz. “Em determinado momento em que energeticamente esse profissional esteja mais fragilizado algum sintoma físico ou emocional será manifestado em seu corpo”, explica. “É importante dizer que de modo algum a terapia prânica substitui a medicina tradicional, mas vem atuando como parceira nos tratamentos, pois acelera o processo de recuperação de doenças físicas e emocionais.  É frequente encontrarmos médicos frequentando os cursos de terapia prânica”, conclui. Mari acumula em sua formação cursos e certificação internacional com base nos ensinamentos do mestre Choa Kok Sui - a quem se atribui o desenvolvimento de um sistema de cura que usa a energia prânica de maneira mais ativa e eficiente.


Xeque-mate

A expressão xeque-mate refere-se ao final da partida de xadrez. Mas no Hospital de Base o jogo está só começando. O xadrez também integra o projeto de Qualidade de Vida por ser uma atividade que exercita e melhora a memória além de estimular a concentração e o pensamento crítico. Na prática, os trabalhadores podem participar de aulas quinzenais oferecidas aos sábados pelo orientador e entusiasta do xadrez Aristides Júnior, funcionário que atua no SESMT do Hospital de Base. No dia 13 de maio, o porteiro Diego Jefferson Noe Leite e a enfermeira Thais Cavalcante Shinohara Rodrigues participaram da aula inaugural, quando conheceram a origem do xadrez, sua trajetória pelo mundo e sua chegada no Brasil. “Também abordamos algumas nomenclaturas faladas e utilizadas pelos enxadristas”, conta Aristides.

Embora as aulas sejam quinzenais, a enfermeira Thais relata que as aulas deixam aprendizados e reflexões para o dia a dia. “Nosso cotidiano é movido de ações que exigem concentração para a tomada de decisão, nossos acertos e erros. E o xadrez nos traz ensinamentos e pensamentos para avançar na jogada diária. Tem sido uma experiência espetacular”, relata.

A atividade recebe apoio do Flipper Lanches de Bauru.

 

Áreas de atuação do projeto e ganhos

- Serviço Social: triagem social, escuta e acompanhamento dos trabalhadores
- Nutrição: atendimentos em grupo e rodas de conversa com educação alimentar
- Enfermagem: prevenção e controle de doenças crônicas em parceria com Medicina do Trabalho
- Fisioterapia: Mapa corporal e exercícios
- Terapia Prânica: atendimentos agendados
- Reiki: sessões agendadas
- Xadrez: estimula memória, concentração e pensamento crítico, aulas quinzenais aos sábados
- Dança do ventre: dança é movimento e promove autoconhecimento
- Oficina de voluntariado: conexão, apoio e cooperação.  

..........................
MATÉRIAS RELACIONADAS:
JC destaca Programa de Qualidade: 10/06/2023

Famesp Notícias | 06/04/2023: lançamento do programa de Qualidade de Vida